Um
simples “preciso de ti” não serve de
nada, não muda nada. A dor corrói o coração, aquele tremelicar da perna
persiste, isto por causa do medo. Medo de perder ou medo de perceber que nunca
foi nosso. Não como deveria ter sido. Na vida existem tantos caminhos cruzados
que se descruzam e eu não quero que este seja mais um, estou cansada de
caminhar em estradas que me magoam os pés, caminhos em que tropeço nas pedras.
Caio, esfolo os joelhos e as mãos, aquelas mãos que antes acariciavam o teu
rosto e tocavam a tua pele com todo o cuidado ou brutalidade de embirração.
Uma
grande quantidade de palavras que me sufoca a garganta, que me prende a língua
e me torna muda. Os lábios mexem mas não transmitem nada para além de caretas
insignificantes. Inspiro indiferença e expiro incerteza. Tudo se infiltra, não
para sempre. Acostumamo-nos ao amor, assim como nos acostumamos a viver com uma
constante dor no nosso interior. Torna-se numa rotina, numa agonia que não nos
larga. Quero gritar para que me oiças, mas para mim os teus ouvidos são surdos.

